Resenha Crítica: Destino

Uma das grandes dádivas do ser humano é o livre-arbítrio. Por isso, eu realmente não acredito em destino. O que imagino que possa acontecer é a nossa vida estar um pouco alinhavada, ou seja, as opções estão postas à nossa frente, mas a escolha sempre será nossa. É essa a discussão que é alimentada durante todo o o livro Destino, de Ally Condie, cujo enredo resume um mundo em que a vida toda, até o último suspiro das pessoas, é controlada por um bando de poderosos que dita a rotina e até mesmo o par "perfeito" para cada membro da sociedade.

Sinopse: E nesse contexto vive Cassia Reyes, uma adolescente que está prestes a conhecer seu par, o homem com quem vai dividir a vida, e que Cassia vai ser obrigada a amar, já que suas escolhas e preferências indicaram perfeitamente qual homem seria o ideal para ela. Para a maioria das garotas dessa Sociedade, os pares são rapazes desconhecidos, mas ainda assim, adequados de acordo com a personalidade de cada moça. Cassia, no entanto, é uma das raras exceções, e fica extasiada, pois quando o grande telão anuncia seu nome para apresentar seu par, um rosto muito familiar aparece. A alegria é substituída horas depois por uma grande dúvida, quando Cassia vai conhecer a fundo seu par por intermédio de um dispositivo, como se fosse um DVD, que resume as características de seu par. Um pequeno erro apresenta rapidamente o rosto de outra pessoa na tela. Intrigada e confusa com o equívoco, já que o outro rosto também é familiar, Cassia começa a pensar demais no que poderia ter ocasionado o erro, já que a Sociedade "nunca" erra. Mas além de ficar muito encucada com essa falha, Cassia passa também a manter a cabeça ocupada demais com o rosto que viu aparecer rapidamente na tela. Esse pequeno deslize muda todo o contexto da vida de Cassia, e faz com que ela pare de engolir mastigadas as regras da Sociedade.

Crítica: A história me fez refletir um pouco sobre o contexto que está nas entrelinhas. Cassia começa a questionar tudo, e perceber que existe uma manipulação em massa feita pela sociedade. Mas em determinados momentos, a narrativa dá a entender que mesmo esses questionamentos e até a rebeldia de Cassia foi proposital. Daí me pergunto se não há uma comparação discreta com nossa própria sociedade. Toda nossa vida está em nosso controle, ou mesmo com muito conhecimento e senso crítico, ainda estamos seguindo as ordens impostas pela sociedade, e pela mídia, que para mim é a grande manipuladora?

O livro tem uma história bem interessante, mas poderia ter provocado mais emoção. O contexto é bacana, estimula a reflexão, porém, fica muito morno durante a maior parte do tempo. Não há muita adrenalina, nem faz o leitor grudar os olhos na leitura e ter muito desejo de saber o desfecho. Além disso, tem muito clichê. Para variar, Cassia é uma menina relativamente comum, mas inteligente, equilibrada, que supera suas colegas. E embora não dê muita ênfase, tem uma loira perfeita, mas patricinha, que ameaça o romance de Cassia. Coisinhas que já encheram um pouco. Mas dá para o gasto, de qualquer forma.

Minha Nota: 7,0

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